sexta-feira, junho 06, 2008

tratado de paredes

por aqui, aproveito para me confessar que desde que partimos- você à procura das suas exigências, e eu precisando de novos ares- comecei a guardar lembranças. isso te deve soar engraçado. justo eu que substituía momentos como uma espécie de artista de colagem.
fico querendo me conectar em tudo para obter minha nova paisagem e ter uma atmosfera mais leve sobre todas as forças que me rondam. ainda não consigo. por enquanto tudo é abuso, esgotamento. o meu lugar ainda está bastante desarrumado, existem coisas que devem ser postas e outras tiradas. não consegui sintonia para a tv, mas tudo bem, o tempo também não está ajudando; e tenho o computador, os livros, os cds, o trabalho e a cidade desconhecida que seqüestram minha atenção, enquanto chegam a mim problemas e alguns instantes de criatividade. acho que foi por isso que resolvi mentir para páginas em branco, não sei bem se esse foi um vício ou uma virtude que aprendi com você, de qualquer forma é o meu jeito de te carregar mais perto. mas de repente eu acabo. escorrego para dentro de uma floresta de redundâncias e desejos, minhas mais plenas afetações. sinto falta das nossas ruas tortas que teimavam em se cruzar. mande notícias. que tenho saudade do jeito que me contava histórias: prolixo, duvidoso, sarcástico, sem finais felizes, na verdade, muitas das vezes sem final algum.